Resumo: Este estudo, que é parte de uma dissertação de mestrado, teve como objetivo compreender a produção científica no Brasil sobre ações coletivas no agronegócio, a partir de teses e dissertações defendidas entre os anos 1998 e 2012. Para esta pesquisa, ações coletivas são estruturas de governança caracterizadas pela atuação conjunta de indivíduos e/ou firmas que unem esforços para atingir objetivos comuns. Em termos metodológicos, este trabalho caracterizou-se como um estudo sobre o estado da arte e uma pesquisa bibliométrica, com abordagem quantitativo-qualitativa. Como principais resultados, constatou-se a existência de pesquisas na área de ações coletivas no agronegócio. Além disso, esses estudos têm aumentado nos últimos anos, porém, em número ainda pequeno se forem consideradas a recorrência e a importância dessas estruturas para o agronegócio. Quanto às principais características encontradas nas teses e dissertações, observou--se que, em sua maioria, se constituem de estudos empíricos e focam modelos sob a forma de cooperativas, associações, redes e de APLs/clusters/aglomerados. Chegou-se à conclusão de que a agropecuária foi o segmento mais pesquisado nos estudos de caso e que as regiões Sul e Sudeste concentram tanto a maior parte dos estudos quanto a maioria das formas coletivas estudadas.
Palavras
IntroduçãoNas últimas décadas, as organizações têm se deparado com expressivas mudanças de ordem política, econômica e social, geradas por forças de um mercado globalizado e marcado pela revolução tecnológica, pela concorrência acirrada, dentre outros aspectos. Diante dessa conjuntura, os agentes têm desenvolvido novas formas de governança baseadas na interação, na coletividade e na cooperação, a fim de se tornarem mais competitivos. Trata-se de formas complexas ou híbridas de governança, que estão emergindo em resposta a um contíguo de diferentes transações realizadas de maneira conjunta e simultânea, transações essas que as outras estruturas de governança, como o mercado e a hierarquia, não conseguem mais responder (AUSTIN, 2001;MÉNARD, 2004;SANDLER, 2004).Assim, essas estruturas complexas surgem em razão de que ações isoladas e individuais muitas vezes não dispõem de todos os recursos e condições necessárias para atender as atuais demandas por inovação, variedade e diferenciação, exigindo a formação de ações coletivas entre indivíduos e organizações para a promoção de tais resultados de maneira mais eficiente. Para Austin (2001)