A construção da “música popular brasileira“ como tradição emblemática, partilhada e valorizada por públicos diferentes, no Brasil e no estrangeiro, resulta de processos diversos no meio dos quais a produção radiofônica dos anos 30 a 60 tem um papel central. A reconfiguração da indústria musical no final deste período e os efeitos de geração aos quais são associados produziram estratégias originais pelas quais uma facção de atores deste meio diferenciaram a música popular como objeto de erudição específica, separado do folclore e da música erudita. Baseando-nos na análise das trajetórias de Paulo Tapajós e Almirante, artistas e produtores da dita “era do rádio“, mostraremos como nasceu uma categoria de “pesquisador da música popular”, associada à valorização de competências e linguagens musicais elaboradas no meio radiofônico, à mobilização de arquivos pessoais, à gênese de políticas patrimoniais e a estratégias coletivas de panteonização. Indagando a gênese de um movimento de resgate memorial, observaremos como está associado a processos de inovação cultural.