Resumo Este estudo teve como objetivo analisar a associação entre práticas educativas parentais e problemas emocionais de comportamento em adolescentes com altas habilidades/superdotação (AH/SD). Buscou-se também verificar o poder preditivo das variáveis sociodemográficas e das práticas educativas parentais percebidas em relação aos problemas emocionais e de comportamento, além de investigar diferenças entre os sexos. Trata-se de um estudo de delineamento observacional e explicativo, com corte transversal, do qual participaram 14 adolescentes com AH/SD intelectiva, aferidos pela Escala de Inteligência Wechsler Abreviada (WASI), sendo 10 meninos (71,4%) e quatro meninas (28,6%) com idade entre 12 e 16 anos (M = 13,2; DP = 1,4). Todos responderam ao Questionário de Dados Sociodemográficos, às Escalas de Práticas Parentais e ao Inventário de Comportamentos Autorreferidos para jovens de 11 a 18 anos. Os resultados indicaram predominância de práticas educativas maternas, como cobrança de responsabilidade, apoio emocional e incentivo à autonomia. Os meninos apresentaram mais indicadores de problemas internalizantes e total de problemas, superando em cerca de 30% a média das meninas. O total de problemas identificados foi explicado em 17,4% pelo menor incentivo à autonomia por parte da mãe. Por outro lado, os indicadores de aspectos positivos foram explicados em 24,9% pela menor presença de controle punitivo, também da mãe. Os dados apontam para uma maior incidência de indicadores de problemas emocionais e de comportamento em meninos com AH/SD e sua associação com características da família, especialmente as práticas educativas maternas, sugerindo a importância de atentar-se para tais questões.
Objetivou deste trabalho foi compreender a percepção de pais de adolescentes com altas habilidades ou superdotação (AH/SD) intelectiva sobre dinâmica familiar, práticas educativas utilizadas, indicadores de problemas emocionais/comportamentais e perspectivas de futuro em relação aos filhos/as. Trata-se de uma pesquisa exploratória e qualitativa, da qual participaram três mães e dois pais. Todos responderam individualmente uma entrevista semiestruturada constituída por 15 tópicos que versavam sobre rotina familiar, práticas educativas e preocupações parentais com os filhos. A análise temática dedutiva indicou que os pais identificaram as altas habilidades dos filhos, porém necessitavam de informações adicionais para gerenciar tais características. Observou-se uma interação familiar carente em alguns casos e a coexistência de práticas autoritativas e autoritárias em uma mesma família. Constatou-se o receio com a expressão de agressividade e isolamento dos filhos/as e o quanto isso poderia propiciar o envolvimento em atos ilícitos. Assim, verificou-se que os pais estão atentos aos filhos, mas apresentam dúvidas sobre como educá-los.
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