A violência obstétrica (VO) é um problema de saúde global que diz respeito a situações de maus-tratos à mulher em período reprodutivo. Com o objetivo de identificar a prevalência de VO e tipificar as agressões em maternidades públicas e privadas de Sergipe, o presente estudo transversal foi desenvolvido tendo como público-alvo mulheres frequentadoras do Hospital Universitário de Sergipe. Foram inclusas mulheres que pariram em Sergipe entre 2017 e 2022 e exclusas as menores de 18 anos, que pariram em outro estado ou fora desse período. A VO foi considerada baseando-se na descrição das vítimas e classificada em 7 tipos: física, verbal, psicológica, sexual, social, negligência e uso indevido de técnicas e procedimentos (UIPT). Cálculo de prevalência, Odds-Ratio (OR) e teste de Mann-Whitney foram usados para análise estatística. 337 mulheres estiveram aptas a participar da pesquisa. A prevalência de VO foi de 85,16%, estando presente em 95,53% dos relatos de parto no setor público e 73,42% no particular. Dos tipos de agressão, 76,85% foi UIPT, 60,83% negligência, 46,29% psicológica, 25,82% física, 17,51% sexual, 12,76% verbal e 2,67% social. 70,32% das vítimas sofreram pelo menos 1 tipo de violação. O OR referente a associação de categorias variou entre 1.43 e 22.22. Conclui-se que a VO teve alta prevalência em Sergipe, principalmente através de UIPT e negligência. Os tipos de agressões não ocorreram de forma individualizada, sendo a maior parte das mulheres sofreram até 3 tipos de VO simultaneamente.