Busca-se compreender como as desigualdades socioespaciais se apresentam em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, partindo dos dados demográficos de renda e raça e do acesso a oportunidades de emprego, saúde e educação, oriundos do Ipea e ITDP. A pesquisa realizou-se por meio de análise teórica acerca do conceito de desigualdade socioespacial, levantamento de dados estatísticos e geoespaciais sobre renda, raça, emprego, acesso a postos de trabalho e equipamentos de saúde e de educação, para o ano de 2019. Nota-se que como muitas das grandes cidades brasileiras, Campo Grande possui concentração de pessoas mais ricas, brancas e de oportunidades de emprego nas porções centrais, entretanto, observa-se que os principais eixos viários da cidade, conformam uma distribuição desses aspectos em direção às saídas da cidade. Os bairros da periferia com menos oportunidades de emprego, são aqueles com maior porcentagem de pessoas negras, pobres e que também figuram com valores mais altos no Índice de Exclusão Social de Campo Grande. Assim, a cidade mostra-se profundamente desigual, de modo que essas disparidades conformam e sustentam a produção do espaço urbano. As desigualdades socioespaciais, visualizadas nos indicadores apresentados, mostram-se como condição, meio e produto da reprodução da sociedade campo-grandense.